quinta-feira, 12 de março de 2026

Empatado com Lula no segundo turno, Flávio avançou entre eleitores independentes, mostra Genial/Quaest

A sete meses das eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) estão pela primeira vez na série histórica da pesquisa Genial/Quaest com o mesmo índice de intenções de voto em uma eventual disputa de segundo turno — ambos marcam 41%. O petista, no entanto, segue na liderança nas simulações de primeiro turno. Os dados, divulgados ontem, reforçam avanço do filho de Jair Bolsonaro, escolhido pelo ex-presidente em dezembro para representá-lo nas urnas. Em fevereiro, o parlamentar aparecia com 38% de preferência, enquanto Lula somava 43% em um embate direto. Se considerado apenas o grupo de eleitores que se classifica como independente, tido como decisivo no pleito, Flávio ultrapassou Lula numericamente ao avançar seis pontos desde a última pesquisa e agora tem 32%, ante 27% do petista. A movimentação foi acompanhada de uma piora na avaliação do governo do petista e da economia. A maioria dos entrevistados pela Quaest — 51% do total — disse desaprovar a gestão Lula, enquanto 44% indicaram aprová-la. Essa é a maior discrepância entre os grupos (sete pontos percentuais) desde julho de 2025, quando a desaprovação superava a aprovação por dez pontos e o governo iniciava uma leve recuperação da popularidade após a crise envolvendo mensagens falsas sobre a mudança de regras do Pix. As dificuldades na popularidade do presidente ocorrem em meio às investigações relacionadas ao caso Master — que têm respingado negativamente no governo embora envolva também nomes à direita —, e à quebra de sigilo do Lulinha, filho do presidente, no âmbito das apurações sobre desvios de recursos do INSS. Nos últimos dias, aliados de Flávio passaram a explorar os dois temas para atacar o governo. Outra frente de desgaste foi o desfile da Acadêmicos de Niterói que homenageou Lula em fevereiro no carnaval do Rio, mas satirizou famílias conservadoras e gerou uma onda de críticas de setores evangélicos. A Quaest ouviu 2.004 eleitores entre a sexta-feira da semana passada e a última segunda-feira. Vantagem à direita Em mais um indicativo da consolidação da pré-candidatura de Flávio à direita, as demais simulações de segundo turno mostram que o senador é hoje o nome mais forte da oposição entre os testados para enfrentar Lula. O atual presidente abre vantagem de nove a 16 pontos percentuais quando enfrenta os governadores Ratinho Junior (PSD), Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Eduardo Leite (PSD). Já nas simulações de primeiro turno, Lula lidera em todos os cenários com índices que variam entre 37% e 39% das intenções de voto, a depender da lista de nomes. Flávio, por sua vez, aparece em seguida, distante dos demais nomes, e teria entre 30% e 35%, também a depender do quadro de candidatos. A margem de erro geral da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou menos. Entre os pré-candidatos do PSD, Ratinho é quem atinge numericamente o maior patamar, com 7% nos dois cenários em que é testado, seguido por Caiado (4%) e Leite (3%). O partido ainda avalia qual dos três governadores irá lançar à Presidência, e a definição deve sair no fim deste mês. O presidente do partido, Gilberto Kassab, tem dito que os resultados das pesquisas serão considerados para a decisão, mas não serão o único critério. O quesito rejeição segue como desafio para os principais pré-candidatos. Lula e Flávio também empatam na rejeição. São 56% os entrevistados que dizem conhecer Lula e que não votariam no presidente, enquanto para o filho de Bolsonaro esse índice é de 55%, o que reforça que a estratégia do PL de mostrar o senador como nome mais moderado que o pai, com acenos a setores do empresariado e às mulheres, não surtiu efeito. Os demais pré-candidatos têm rejeição abaixo de 40%, mas são menos conhecidos. Ainda segundo a Genial/Quaest, 48% dos eleitores consideram que Flávio não é mais moderado que sua família, enquanto 38% avaliam que sim. Já em relação a Lula, 43% dizem que o presidente não é mais moderado que o PT, e 42% afirmam o contrário. Reveses para o governo Do lado de Lula, há outros pontos de preocupação. A fatia dos brasileiros que avalia que a economia piorou nos últimos 12 meses avançou de 43% para 48%. Além disso, apenas 17% afirmaram que a renda aumentou significativamente com a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, uma das principais apostas da gestão para ampliar a popularidade. Outros 48% dizem que não sentiram diferença e 34% apontaram que a renda aumentou, mas não muito. No segmento com renda superior a dois e de até cinco salários mínimos, 52% relataram que não sentiram diferença com a medida. Ainda de acordo com os dados da Quaest, pela primeira vez, o medo da permanência de Lula no Planalto superou numericamente o temor da volta da família Bolsonaro ao poder (43% a 42%). Em fevereiro, 44% diziam que tinham medo do retorno dos Bolsonaro à Presidência e 41% temiam mais Lula seguir no cargo. A oscilação ocorreu dentro da margem de erro, mas numericamente o temor sobre a reeleição do petista aumentou. Outro ineditismo é a desaprovação ao governo Lula superar a aprovação também entre as mulheres (48% a 46%), grupo que, segundo pesquisas de véspera em 2022, ajudou a sacramentar a vitória do presidente na última disputa eleitoral. Em novembro, o saldo era positivo para a atual gestão em cinco pontos percentuais. Entre os homens, a rejeição ao atual governo supera o apoio em 14 pontos. Entre os católicos, outro segmento que costuma ter preferência pelo petista, a desaprovação também avançou para 47%, mas segue atrás, numericamente, da aprovação (48%). Já entre os evangélicos, a rejeição ao governo ficou estável, em 61%. Fonte:O Globo
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